quarta-feira, 5 de agosto de 2015

e pum

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Eu nunca fui muito boa na arte da condução. E estou a ser simpática. Na altura em que o meu pai morreu fiquei com o vogas da família para quando tirasse a carta ter um carro para mim. Entretanto a maioridade chegou, a carta (demorooooooouuuuuu) também chegou e o meu voguinhas veio para mim mas anda com o meu tio que entretanto ficou sem carro num acidente. E hoje, num dos primeiros dias em que andei sem ninguém a encher-me os ouvidos, esbarro-me contra um poste. Eu sou só a pessoa mais estúpida, distraída, sem sorte e idiota do mundo. Lá se foi o meu vogas, o meu retrovisor e a minha porta do passageiro. UPS!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

diário da tua ausência #5

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papá,

sei que estás orgulhoso de mim. Eu estou orgulhosa de mim! Foi um ano difícil, de lutas diárias e, no fim, eu consegui... É verdade, a tua filhota conseguiu. Eu sei que sou a única que duvida de mim mesma e que tu sabes que das minhas capacidades mas fico feliz por não te deixar ficar mal. Era esse o meu medo, sabes? Desiludir-te, a ti e a mãe. A vocês que movem mundos por mim, que fazem os esforços que forem precisos. Desiludir-vos é o meu maior medo... Mas eu consegui pai, sem derrotismo, sem desistir, eu lutei, como me ensinaste e consegui. Eu cheguei ao final do primeiro ano de medicina e estou mais perto do meu sonho. O João farta-se de falar na estrelinha brilhante, no "tio Miguel", e eu posso jurar que está mais brilhante desde que sei que passei, desde que sei que tens motivos para estar orgulhoso. Eu sei, eu sei... Tenho que te dar alguns créditos. Sem ti se calhar não tinha conseguido. Fez-me bem saber que tinha a minha estrelinha que me ouvia nas noites em que não conseguia dormir com o nervosismo... Tu com o teu dedo mágico soubeste acalmar-me. Agora estou mais confiante pai, porque eu sei que vou conseguir. Vou ter dificuldades mas sei que as vou ultrapassar. Até já conduzo!!! Sim pai, o teu bebé está agora nas minhas mãos e eu trato bem dele... Sei bem que se estivesses cá não me deixavas conduzir mas diz-se agora que é uma "necessidade"... Nhe, acho que sim... Eu simplesmente gosto, apesar de não ter muito jeito. 
Hoje percebo que o amor verdadeiro existe. Não quando penso em ti e sinto um amor inabalável. Mas porque olho para a mãe e sei que ela te ama exactamente como quando nos deixaste. A saudade que ela sente do companheiro da vida dela é a prova que o amor existe! E é um amor assim que eu quero para mim pai... Sei que não gostas que fale de rapazes, mas eu não falo de um rapaz, falo de um amor! Eu quero poder dizer aos meus filhos que encontrei aquilo que vocês tinham porque esse amor... é esse amor! é esse amor que move montanhas e faz girar o mundo...

amo-te muito papá,
da tua filhota
Ângela



domingo, 14 de setembro de 2014

próximo destino: universidade

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Este blogue vai voltar a ser ponto de paragem... Mas desta vez com novos ares, ares do interior e muito perto do ponto mais alto de Portugal continental. Estou a seguir o meu sonho, estou a tentar torná-lo realidade mas para isso tive que me deslocar até à Covilhã. Medicina parece óptimo quando não estamos a 300 km de toda a realidade que conhecemos e adoramos. Aliás, medicina é fantástica quando estamos ao lado das pessoas que se ama... Portanto, neste momento estou a seguir o meu sonho (que se me perguntassem a semana passada eu diria que estava longeeeeeeeeeeeeeee) mas estou também a viver o meu pior pesadelo...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

meio ano.

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tanto tempo... mas ao mesmo tempo tão pouco...

terça-feira, 30 de julho de 2013

se a saudade matasse...

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... eu tinha morrido no dia em que partiste, pai!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

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até agora tive o ano mais difícil da minha vida e isto não está com ideias de acalmar. a verdade é que cada dia custa mais, cada sorriso sai mais forçado e cada momento parece mais longo!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

diário da tua ausência #4

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pai,
ontem foi Páscoa. Bem, ontem foi a primeira Páscoa sem ti...
E se o dia do Pai foi difícil, e eu nunca lhe dei grande valor, ontem fui completamente abaixo! A mãe foi trabalhar (nós sabemos o quanto tu irias odiar mas já sabes como é a tua irmã) e, por isso, nós não abrimos a porta. É o primeiro ano que não abrimos a porta... As coisas estão mesmo a mudar... Eu chorei, a vó chorou, a tia Lice chorou... O Cristo deve ter ficado assustado com tanta gente a chorar na mesma casa. Acho que foi um envolver da tristeza, de termos perdido, e alegria, de termos a vó de volta em casa.
Nós dissemos ao João que tinhas "ido para o Jesus" e quando lhe tentamos explicar o que era a Páscoa dissemos que "o Jesus vinha cá a casa". Portanto, no sábado à noite, enquanto lhe dava banho, ele perguntou se o tio Miguel também vinha com o Jesus, porque ele tinha muitas saudades dele!
Durante a tarde fui ver-te. Estava a chover muito mas não fez mal, molhei-me mas estive perto de ti. Ainda me custa muito ir ao cemitério e chorei tanto agarrada à Catarina quando te vi naquela lápide! A fotografia não te faz justiça mas estás mesmo muito bonito Pai! Não eras apreciador de fotos mas tenho uma escondida que é a minha preferida! És tu comigo ao colo quando eu era pequenina. Mesmo pequenina porque ainda não era gorda! É a minha foto favorita de sempre! Vou guardá-la e fazer cópias e ter a certeza que as tenho espalhadas para te ver sempre que abrir o guarda vestidos ou quando estiver a estudar na secretária!
Amo-te muito Pai, e por isso não te peço que voltes. Peço-te que não vás... Fica por perto, posso vir a precisar!

ps: por favor, ajuda-me com este problema! não te torno a desiludir!

sábado, 30 de março de 2013

diário da tua ausência #3

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pai,
o João pergunta tantas vezes por ti

diário da tu ausência #2

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pai,
a mãe veio aqui à casa da vó vê-la e disse-me que foi ao cemitério. A tua lápide já estava pronta! Oh, ela chorou tanto! Disse que tu estavas lindo na fotografia... Acredito que sim, tu és eras lindo! pela primeira vez a vó pôde chorar com a mãe a tua morte... O João ficou tão triste mas não compreendeu o que se estava a passar!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Diário da tua ausência #1

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O meu pai faleceu. Morreu há precisamente um mês e vinte e quatro dias! Tinha 52 anos, ia fazer 53 anos em Agosto... E era o homem mais forte e mais saudável que eu já conheci! Conhecia bem os hospitais porque infelizmente já tinha muitas cicatrizes de acidentes mas nunca entrou num por estar doente. Em toda a minha vida o meu pai nunca faltou a um dia de trabalho e ele trabalha 7 dias por semana para me poder dar tudo o que eu precisava e para que a minha mãe pudesse ficar em casa, já que não pode trabalhar... Sempre saudável e sempre brincalhão. Era a alma da minha casa com os seus assobios e com os Pink Floyd a bombar às 9h aos sábados de manhã; era a alma da fábrica com as suas anedotas e as suas indirectas; era a alma do restaurante com a sua arte e com a sua simpatia!
O homem da minha vida morreu. Chegou a casa constipado, deitou-se e nunca mais se levantou... Eu não o vi nessa noite! Só fui à beira dele quando a minha mãe aos berros pediu por ajuda porque o meu pai não estava bem. Ele não deve ter notado que estava a morrer mas mesmo assim morreu! Sempre foi forte por mim, pela minha mãe e pelo meu irmão e neste momento está na hora de sermos fortes por ele! Teve uma vida difícil, uma família complicada, um pai bêbedo, uma mãe que só quis saber dele depois de ele ter morrido, um conjunto de muitos irmãos para só um realmente querer saber... Trabalhou no duro desde os 10 anos para ajudar a mãe a alimentar os irmãos e mais tarde trabalhou muito para construir a minha casa e fazer com que tenhamos mesmo tudo!
Era o meu herói e eu nem sempre lhe disse isso... Tínhamos feitios iguais e muitas vezes por ideias opostas discutíamos! Ele protegia-me e eu achava que era grande e não precisava de protecção. O meu herói morreu e eu não fiz nada para o salvar, não tive tempo para dizer que o amava muito e para lhe dizer que ia ter muitas saudades dele. Não lhe pude dizer nada e nem sequer o pude ajudar... A ambulância ainda não tinha chegado e o meu pai já tinha morrido!
O homem da minha vida morreu. O meu pai morreu. E a minha mãe é viúva e ainda não fez 50!